Análise do discurso e religião

Teste

Maisa Dias | 11-01-2013

Testando...

teste...

Luciana Castro.... | 24-04-2012

testando o fórum....

Re:teste...

Lohana Kárita | 25-04-2012

Lu, aconteceu de novo a mesma coisa que você falou mais cedo, digitei um tanto e não apareceu, amanhã tento outra vez.

Sobre a noção de 'descontinuidade' em Foucault...

Luciana Castro... | 03-04-2012

Páginas 9 e 10 d ' A Arqueologia do Saber:

... a noção de descontinuidade toma um lugar importante nas disciplinas históricas. Para a história em sua forma clássica, o descontínuo, era ao mesmo tempo, o dado e o impensável; o que se apresentava sob a natureza dos acontecimentos dispersos - decisões, acidentes, iniciativas, descobertos - e o que devia ser, pela análise, contornado reduzido, apagado, para que aparecesse a continuidade dos acontecimentos. A descontinuidade era o estigma da dispersão temporal que o historiador se encarregava de suprimir da história. Ela se tornou, agora, um dos elementos fundamentais da análise histórica, onde aparece com um triplo papel. Constitui de início, uma operação deliberada do historiador, (...) pois ele deve, pelo menos a título de hipótese sistemática, distinguir os níveis possíveis da análise, os métodos que são que adequados a cada um e as periodizações que lhes convém. É também o resultado de sua descrição (e não mais o que se deve eliminar sob o efeito de uma análise), pois o historiador se dispõe a descobrir os limites de um processo (...). Ela é, enfim, o conceito que o trabalho não deixa de especificar (...); ela é uma forma e uma função específica de acordo com o domínio e o nível em que é delimitada (...). Paradoxal noção de descontinuidade, é ao mesmo tempo, instrumento e objeto de pesquisa (...) permite individualizar os domínios mas só pode ser estabelecida através da comparação desses domínios. (...) Um dos traços mais essenciais da história nova, é, sem dúvida, esse deslocamento do descontínuo: sua passagem do obstáculo à prática; sua integração no discurso do historiador, no qual não desempenha mais o papel de uma fatalidade exterior que é preciso reduzir, e sim o de um conceito operatório que se utiliza (...).

Na discussão de hoje retomamos tal noção de descontinuidade, buscando dar a ela uma certa clareza. Foi pertinente partir da metáfora da história como uma trama, na qual diversas linhas se cruzam dando forma ao tecido. Isto é, várias coisas acontecendo ao mesmo tempo influem de algum modo na história. A História Tradicional dava ênfase a apenas uma linha dessa trama (linha q era escolhida conforme determinados critérios), deixando as outras de lado, apagando-as, ignorando o cruzamento que a linha estudada tinha com elas. Qualquer ligação que as outras linhas poderiam ter com a linha estudada era tomada como uma descontinuidade que não era levada em conta. A Nova História, por outro lado, busca trabalhar com a trama e não somente com uma linha dela, de modo que um pontinho (acontecimento/enuciado/ prática) num certo ponto da trama histórica não deixaria de ter influencia em outro (ou em outros pontinhos) por mais distantes ou 'desalinhados' que eles pudessem estar nessa trama histórica. As descontinuidades apagadas pela História Tradicional ganham relevância na Nova História.

Bem boba a metáfora, mas talvez a que melhor nos dê uma certa tranquilidade para entender essa noção de 'descontinuidade' e sua função na Nova História e na Arqueologia foucaultiana.

Mas não deixo de considerar a 'noção' de descontinuidade mais problemática do que eficiente. Descontinuidade pressupõe o que não é contínuo. Na trama da história tudo é contínuo, tudo tem relação, seja acontecimentos, enunciados... melhor dizendo, dá pra estabelecer relações entre cada ponto dessa trama, mesmo que a ligação entre um ponto e outro passe por diversos outros, em diversas direções. Não existe descontinuidade qdo tomamos a história como trama. ( se abdicarmos dessa metáfora, talvez exista descontinuidade e talvez seja ela mais real que a continuidade, mas para explicar isso seria necessário outra postagem, outro viés de discussão).
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Tanto o historiador tradicional quanto o historiador novo tentam estabelecer relações entre pontos da trama histórica. Mas o primeiro escolhe uma linha e ignora as outras, o segundo busca trabalhar a relação entre diversas linhas, dando relevância ao que o historiador tradicional apaga. Mas ambos operam com continuidades; o novo historiador vê continuidade onde o tradicional enxerga descontinuidade e tenta apagar. Assim me parece que quem usa mais a 'noção' de descontinuidade é o historiador tradicional, mas a usa para justificar o apagamento que faz de certos fatos; isso me parece mais lógico, e não o contrário. Não me parece lógico dizer que o novo historiador usa a 'descontinuidade' como instrumento e a tem como resultado de sua descrição; ela pode ser objeto inicial de seu trabalho, se pensarmos que esse historiador busca lidar com enunciados e acontecimentos aparentemente dispersos; mas resultado não, visto que o historiador busca estabelecer relações, continuidade entre esses enunciados/acontecimentos/práticas. A continuidade é o resultado da descrição... mas para o tradicional um certo tipo de continuidade tem relevância, e para o novo outros tipos são importantes....

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Então?

Re:Sobre a noção de 'descontinuidade' em Foucault...

Alexandre | 03-04-2012

Pois é, Lu. Também penso que, se tomada como 'palavra mágica', a noção de descontinuidade é inútil. No entanto, se considerada como "operação deliberada do pesquisador", por exemplo, está perfeitamente encaixada nos estruturalismo metodológico. E, talvez, como recorte de "visibilidade" por parte sujeitos de uma formação também seja útil: nem sempre, em uma ordem de discurso, todos têm a clareza das linhas de continuidade (ou quase nunca).

Re²:Sobre a noção de 'descontinuidade' em Foucault...

Luciana Castro.... | 04-04-2012

Considero a noção de 'recorte' bem mais produtiva que a noção de 'descontinuidade'. Pode até ser que antes do trabalho do historiador, os acontecimentos pareçam descontínuos, mas depois que o historiador lida com eles, a continuidade entre eles se torna mais evidente....

Sobre a noção de 'descontinuidade' em Foucault, com pitacos de Bakhtin

Maisa Dias | 11-04-2012

Realmente a noção de recorte parece fazer mais jus ao fim metodológico. O produto de um recorte já nos dá a alusão a uma parte de um todo, operação esta que não fica claro quando usado o termo descontinuidade de Foucault.
Pensando, relendo, matutando e "viajando" como vc diz, encontrei no texto do Geraldi, "Sobre a questão de Sujeito", algumas falas de Bakhtin que, pelo menos para mim, fizeram e fazem sentido quanto a tal descontinuidade foucaultiana, e por que não, da própria continuidade. Enfim, atentemo-nos primeiro a este excerto:

"[...] A consciência adquire forma e existência nos signos criados por um grupo organizado no curso de suas relações sociais. Os signos são o alimento da consciência individual, a matéria de seus desenvolvimento, e ela reflete a sua lógica e suas leis."(Bakhtin/Voloshinov, 1981, p. 35-36)

Ora, se a consciência adquire forma e existência, materialidade, nos signos de um determinado grupo no curso de suas relações sociais, ou seja na história, esse processo (de aquisição da consciência do indivíduo, e por que não da própria realização da vida deste e de tantos outros) se faz de modo continuado. Se é através da língua, signos, que se dá toda a realização da prática social em todo a história, no Grande Tempo, é inegável essa continuidade, ou seja, assim como diria Bakhtin, no decorrer de um processo evolutivo contínuo.

"Na verdade, a língua não se transmite; ela dura e perdura sob a forma de um processo evolutivo contínuo. [...]" (idem, p. 108)

"Natureza dialógica da consciência, natureza dialógica da própria vida humana. A única forma adequada de expressão verbal da autêntica vida do homem é o diálogo inconcluso. A vida é dialógica da natureza. Viver significa participar do diálogo: interrogar, ouvir, responder, concordar etc." (2003, p.348)

Chama-me a atenção também o termo "diálogo inconcluso" utilizado por Bakhtin. Se a vida é dialógica e isso implica interrogar, ouvir, responder, concordar etc, isso implica dizer que um ato sempre estará ligado ao seu passado e, por conseguinte, se ligara ao futuro. Mais uma vez uma relação continuada.
A esta característica responsável e responsiva, a partir das palavras de Geraldi temos que, "por participarmos da construção do grande tempo da humanidade, deixamos hoje rastros no passado no que será futuro".

Agora, de um modo talvez contraditório ou complementar, temos o que poderia ser a tal da descontinuidade.

"A atitude do homem é um texto em potencial e pode ser compreendida (como atitude humana e não ação física) unicamente no contexto dialógico da própria época [...]" (2003, P. 312)

Pois é, confesso que aqui uma fagulha de dúvida ou exaltação me corrói. Seria a partir do chamado "contexto dialógico da própria época" possível entender a tal da descontinuidade? Acredito que sim, entendendo a descontinuidade como ferramenta metodológica, pelo menos a mim, a noção se materializa e se faz clara. Mas é claro, como disse antes, além da exaltação da possibilidade de entendimento, me corrói também a dúvida: Será? Então?



Chamo a atenção para uma passagem do 1º excerto: "A vida é dialógica por natureza"

Errata...

Maisa Dias | 11-04-2012

onde se lê: A vida é dialógica da natureza.
Leia-se: A vida é dialógica por natureza.

Desconsiderem a última linha (Chamo a atenção para uma passagem do 1º excerto: "A vida é dialógica por natureza").

Re:Sobre a noção de 'descontinuidade' em Foucault, com pitacos de Bakhtin

Luciana Castro.... | 11-04-2012

Por isso eu sempre considerei Bakhtin uma salvação para nossas angústias em estudos do discurso e das práticas... rsrs...
Vejo bastante sentido no que a Máisa falou, e isso reafirma que a continuidade é mais verdadeira, real que a descontinuidade (embora julgo o contrário possível conforme o viés que a gente adota....). E sim, concordo que a noção de recorte é mais clara que a noção de descontinuidade... Numa cadeia continua de fatos, o pesquisador faz um ou vários recortes, mas esse recortes não alteram a continuidade dos fatos (ou alteram?). Os recortes que o historiador faz parecem descontínuos, antes do trabalho arqueológico do historiador... pensando dessa forma, eu ainda não consigo (ou, ainda teimo em) ver a descontinuidade como instrumento, o recorte o é...

Reabrindo o fórum...

Luciana Castro.... | 27-03-2012

Olá, pessoal...

Uma breve revisão dos conceitos de Foucault na Arqueologia, dos quais tratamos hoje:

Campo de presença: todos os enunciados já formulados em alguma outra parte e que são retomados em um discurso a títulode verdade admitida, de descrição exata, de raciocínio fundado ou de pressuposto necessário, e também os que são criticados, discutidos e julgados, assim como os que são rejeitados ou excluídos.

Campo de concomitância: trata-se, então, dos enunciados que se referem a domínios de objetos inteiramente diferentes e que pertencem a tipos de discurso totalmente diversos, mas que atuam entre os enunciados estudados, seja porque valem como conformação analógica, seja porque valem como princípio geral e como premissas aceitas para um raciocínio, ou porque valem como modelos que podemos transferir a outros conteúdos, ou ainda porque funcionam como instância superior com a qual é preciso confrontar e submeter pelo menos algumas proposições que são afirmadas.

Domínio de memória: trata-se dos enunciados que não são mais nem admitidos nem discutidos, que não definem mais, consequentemente, nem um corpo de verdades nem um domínio de validade, mas em relação aos quais se estabelecem laços de filiação, gênese, transformação, continuidade e descontinuidade histórica.

Como tais conceitos podem ser aplicados em cada trabalho no grupo?

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